sexta-feira, 9 de julho de 2010

Por favor, salvem a professorinha!!!


Pensando mais um pouquinho no "aprender a aprender" e na "sociedade do conhecimento" de Newton Duarte, acrescentaria mais uma ilusão às cinco citadas pelo autor: a culpa é do professor. Acredito que minha "sexta ilusão" está implícita nas demais mas merece um tópico especial.
O autor afirma ser uma ilusão a idéia de que o apelo à consciência dos indivíduos constitui o caminho para a a superação dos grandes problemas da humanidade. Concordo. Não só concordo como recordo-me, sem saudade alguma, o tempo em que "dava" aula e sentia todo o peso do mundo em minhas costas.
A educação está na moda. E sendo assim o apelo a esta consciência que livrará a humanidade de todos os males passa pelas mãos dos professores. Fardo pesado. O discurso que a educação é o único caminho para acabar com as desigualdades, com a fome, com a violência, com a corrupção e blá, blá, blá é muito cômodo para quem profere mas tem efeito devastador para quem vive a responsabilidade de trabalhar com educação no Brasil. Temos uma estrutura educacional decadente, ineficiente, indescente... Não ousaria enumerar os problemas das nossas escolas aqui.
As cobranças desmedidas em cima do professor têm como pano de fundo essas ilusões que caem nas graças dos menos avisados e torna-se verdades absolutas. E absurdas.
A escola vai tirar nossos alunos da marginalidade? A educação vai tirar nossos alunos da marginalidade? Nós vamos tirar nossos alunos da marginalidade?
Acho que não. Assim como acho que não é nossa a obrigação acabar com as guerras e a fome no mundo. Para problemas dessa amplitude precisamos de soluções mais amplas também.
Não, não vou propor soluções para estas questões porque minha intenção é só o desabafo mesmo.
O Brasil perdeu a copa. Essa culpa talvez seja realmente nossa. Afinal, quem mandou o Dunga escolher Augusto Cury como professor....

domingo, 4 de julho de 2010

Eu odeio o Orkut



"A interface do Orkut foi muito bem feita. Há uma harmonia grande entre usabilidade e estética, com links em azul sublinhado convivendo com ícones graciosos, firulas e, pasme, capitulares numa tipografia fantasia de silhuetas de seres humanos. Uma vez que você entra lá, dificilmente consegue sair sem ficar pelo menos alguns minutos. A forma como a navegação é organizada é altamente persuasiva."
O texto acima foi retirado de um blog que no início de 2004 apresentava um novo site que unia fóruns e rede sociais. O autor do texto já escrevia acerca da capacidade do Orkut em ser viciante, mas tenho certeza que ele não sabia quais as proporções que esse "vício" iria atingir.
Qual de nós, mesmo após um dia exaustivo de trabalho, com milhões de outras coisas para fazer, ligamos o computador só para “dar uma olhadinha” no Orkut, vê se nas últimas 2 horas, alguém deixou um recado ou postou novas fotos no perfil. Além disso, ninguém mais consegue conhecer alguém novo e não procurar o seu perfil no Orkut. Se essa pessoa não possuir uma conta, já suspeitamos que ela esconde algo, pois: "Que tipo de segredo essa pessoa tem que não pode ter um Orkut?!" E quantos namoros, amizades e empregos não foram destruídos por causa desse site azul cuja intenção é que você faça amigos e encontre pessoas com os mesmo interesses que você?
É a partir desse contexto que o roteirista e escritor Evandro Berlesi escreve o livro “Eu odeio o Orkut” (Editora Alcance, 2008). O livro conta a história de Jader Bertola, um Office-boy que trabalha na funerária de seu tio, até viciar-se no Orkut e perder tudo, incluindo emprego e a namorada. O rapaz entrou inocentemente na internet em busca de uma namorada para poder esquecer a última (que lhe trocou por um balconista do McDonald´s, local onde ele nunca colocou os pés por questões políticas) e acabou tornando-se um dependente. Internado em uma clínica de desintoxicação orkutiana, Jader Bertola faz um download de suas memórias para um colega de quarto escrever um livro contando a sua decadência (do convite maligno até o offline), como um alerta aos jovens que dia após dia entram idiotamente no Orkut sem saber que estão entrando num caminho sem volta. Jader relata toda a sua vida, desde alguns fatos da infância na cidade, até a fase adulta (onde, às vezes, se comporta como uma criança).
Este ano, o Alvoroço Filmes lança o filme “Eu odeio o Orkut”, com participação especial de Luana Piovani. Vale a pena assistir.

.
Macking of do filme "EU odeio o Orkut. Para assistir ao trailer, clique aqui.



sábado, 3 de julho de 2010

Domínio Público



Segundo a definição juridica no Brasil, " os direitos de um autor não são eternos. Via de regra eles expiram em alguns anos após a morte, passando assim para o domínio público.
Domínio público ocorre quando não incidem mais direitos autorais do autor sobre sua obra, podendo, portanto ser reproduzida livremente por qualquer pessoa. A obra pode ser copiada sem a autorização do autor, editor, ou de quem os respresentem."

Esse é um dispositivo interessante, permite ao medíocre a delícia de sentir-se grande e acreditar que pode ser genial ao citar o gênio. A citação da grande obra e a apropriação das palavras do sábio e do erudito permitem ao homem comum pensar-se importante e acreditar que tem lugar no mundo. Acredita até mesmo ter o direito de abrir a boca e dizer veleidades com a palavra dos grandes.

Notas sobre objeto de aprendizagem.


Um objeto de aprendizagem pode ser utilizado em diferentes contextos e em diferentes ambientes de aprendizagem, para atender a necessidade de quê busca tal conhecimento ou informação.

O objeto de aprendizagem é fundamental na busca do conhecimento porque para haver conhecimento precisa ter contato com o objeto de aprendizagem.

Mas para que ocorra a aprendizagem é necessário que o “autor” busque, pesquise, interaja e se envolva com o objeto de aprendizagem, para poder desenvolver e ampliar os conhecimentos já adquiridos e formar sua opinião própria.

Para esclarecer melhor demos como exemplo, um jogador de futebol. Se ele não entrar em contato com a bola, não entender das regras e não se dedicar, dificilmente terá sucesso.


link para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=M7aHFTxX1pQ



Disponível em pt.wikipedia.org/wiki/Objeto_de_aprendizagem

sábado, 26 de junho de 2010

Apesar de.............


“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.

Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita fui a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”


Clarice Lispector

Uma garrafa de vinho barato, por favor...




Você pode não acreditar nisto
mas há as pessoas
que passam pela vida
com muito pouca fricção de angústia.

Eles se vestem bem, dormem bem.
eles estão contentes com a família deles.
com a vida.eles são imperturbáveis
e freqüentemente se sentem muito bem.

E quando eles morrem
é uma morte fácil,
normalmente durante o sono.


Você pode não acreditar nisto
mas tais pessoas existem.
mas eu não sou nenhum deles.
oh não, eu não sou nenhum deles,

Eu não estou nem mesmo próximo
para ser um deles.
mas eles estão lá ...
e eu estou aqui.

(Bukowski)

sábado, 19 de junho de 2010

As "termitências" da Morte




Ontem, Saramago morreu. O mundo ibérico, esta terra do pecado, sofre a perda daquele que nos deu o manual de pintura e caligrafia da sociedade contempôranea que partilha o mesmo ethos cultural lusitano. A obra de Saramago, levantando do chão a auto-estima do mundo de língua portuguesa, permitiu o reconhecimento de todos os nomes possíveis de serem vivenciados dentro da caverna cultural que é a Ibéria e a América Latina. Em sua jangada de pedra, estabeleu a conexão inevitável entre a América e a Ibéria, mostrando que o habitante desse mundo é o homem duplicado. Seus escritos foram um ensaio sobre a lucidez capaz de reconhecer as pequenas memórias uma outra história do cerco de Lisboa, esta bem mais larga do que o restrito espaço portugês. Em uma pesada viagem do elefante, apresenta a linguagem e a moral dos novos tempos. A moderniddade lusitana segue o evangelho segundo jesus cristo, com ou sem o amante de Pillar.